21 Oct. 2020, 15h30

Setor produtivo é a solução para o País, diz Jorge Lima, CEO do projeto de redução do Custo Brasil

"O setor produtivo não conhece o governo, e vice-versa. É uma conversa de surdo, mudo e cego às vezes. Quem faz as leis não conhece o setor produtivo, quem faz um regulamento não conhece o setor produtivo. Isso é um problema! Por outro lado, existe um desconhecimento de como funciona uma máquina governamental de um sistema democrático. Aconteceu um afastamento do setor público do setor privado”, pontuou o CEO do Projeto de Redução do Custo Brasil, do Ministério da Economia, Jorge Lima, em palestra proferida na quarta-feira (21/10), na Casa da Indústria.

O encontro foi transmitido por videoconferência, em parceria com Fecomércio, Faeg, Acieg, Facieg, FCDL e OCB Goiás, e contou com participação de lideranças sindicais, empresários, vereadores e deputados goianos.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás, Sandro Mabel, realizou a abertura do encontro ressaltando a necessidade do projeto ao Brasil. “O Custo Brasil precisa ser reduzido, ele impede as empresas andarem. Hoje para tirar uma licença para trabalhar no setor mineral, para explorar uma mina você demora 10 anos. É inadmissível! O Brasil, com toda essa riqueza que existe, muitas vezes, não conseguimos fazer que funcione”.


Presidente da Fieg, Sandro Mabel, na abertura da palestra 'Redução do Custo Brasil'

Jorge Lima defendeu a aproximação do poder público com o privado. “Economia tem de caminhar em paralelo com a política, não uma contra outra, boicotando a outra”, enfatizou.

O CEO do Ministério da Economia enfatizou que o Custo Brasil depende de modernização da máquina administrativa, de processos de desburocratização e digitalização e reiterou a necessidade urgente da Reforma Administrativa.

“O custo Brasil é um câncer. Ou vamos reduzir ou vamos morrer. Não dá para viver com um custo de R$ 1,5 trilhão por mais 4, 5 ou 10 anos. Não dá para depender de commodities e do agro", afirmou, ao pedir a ajuda do setor produtivo, a quem ele atribui capacidade de fazer o projeto Custo Brasil dar certo.

Coordenado pela Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec), do Ministério da Economia, o projeto busca reduzir em R$ 1,5 trilhão o chamado Custo Brasil, por meio da produtividade, competitividade e eficiência. De acordo com diagnóstico realizado pelo governo federal em parceria com o setor privado, atualmente o custo equivale a 22% do PIB nacional e envolve amplo conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem e comprometem novos investimentos, piorando o ambiente de negócios.

12 ÁREAS VITAIS

A metodologia do projeto inclui 12 áreas consideradas vitais para a competitividade do setor empresarial: (1) abrir um negócio, (2) financiar o negócio, (3) empregar capital humano, (4) dispor da infraestrutura, (5) acessar insumos básicos, (6) atuar em ambiente jurídico e regulatório eficaz, (7) integrar-se com cadeias produtivas globais, (8) honrar tributos, (9) acessar serviços públicos, (10) reinventar o negócio, (11) competir e ser desafiado de forma justa e (12) retomar ou encerrar o negócio.

Atualmente, o Brasil ocupa a 71ª colocação no ranking global de competitividade do Fórum Econômico Mundial, que avalia 141 países. A meta do governo é reduzir essa desigualdade, alcançando o 50º lugar em 2022.

Geração de Empregos

O secretário de Indústria, Comércio e Serviços do Estado de Goiás, Adonídio Neto Vieira Júnior, participou do encontro e declarou “as propostas para reduzir o custo Brasil são música nos nossos ouvidos", e aproveitou para anunciar a desburocratização das licenças ambientais para a mineração e a criação de mais de 10 mil empregos para o setor.

Para a secretária de Estado da Economia, Cristiane Schmidt, que também esteve na palestra, a redução do Custo Brasil é um dos mais importantes projetos do País. "O setor privado é que vai resolver os problemas do País, reduzir a máquina, precisamos de uma reforma administrativa urgente antes da tributária”, frisou.

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