19 Feb. 2020, 18h34

Programa Brasil Mais busca aumentar a competitividade da indústria

Atender 200 mil micros, pequenos e médios empreendimentos até 2022 com soluções de baixo custo para a melhoria de práticas produtivas e de gestão. Essa é a meta do programa Brasil Mais, criado pelo Governo Federal e que contará com execução do Senai e do Sebrae nos Estados. No caso das indústrias, o objetivo é apoiar a implantação do conceito 4.0, otimizando processos, preparando as empresas para o ambiente virtual e incentivando a inovação nos produtos.

Em Goiás, o Senai vai oferecer mentoria e consultoria às indústrias que aderirem ao programa. Na avaliação da Fieg, a iniciativa busca estimular o aumento de investimentos em um momento que é fundamental o crescimento consistente da economia, gerando mais empregos e renda para a população. "As micros e pequenas empresas representam 99% dos negócios e são as que mais sofrem quando a economia patina. Ao fortalecer a competitividade dessas indústrias, todo um ciclo de prosperidade volta a girar", observa o presidente da Fieg, Sandro Mabel.

O PROGRAMA – O Brasil Mais prevê melhorias rápidas e de baixo custo nas empresas para alcançar ganhos expressivos de produtividade por meio de técnicas de manufatura enxuta. O conceito baseia-se na redução dos sete tipos de desperdícios (superprodução, tempo de espera, transporte, excesso de processamento, inventário, movimento e defeitos).

Foram definidos quatro setores industriais prioritários: metalmecânico; moveleiro; vestuário e calçados e alimentos e bebidas. Entre as empresas, terão prioridade as que se organizam em aglomerações industriais ou possuam potencial exportador e tenham entre 11 e 200 funcionários. As indústrias interessadas em participar devem entrar na página do programa na internet (https://brasilmais.economia.gov.br/) e fazer um cadastro com suas informações básicas, detalhando o setor e a localidade em que atuam, além do número de funcionários.

HUB – Parceiros estratégicos da iniciativa, SENAI e Sebrae serão responsáveis pelos atendimentos às empresas e pela aplicação das metodologias, divididas em dois eixos: Melhores Práticas Produtivas (SENAI) e Melhores Práticas Gerenciais (Sebrae).

O SENAI contribuirá para a melhoria de processos produtivos dos clientes de indústrias. A instituição atenderá estabelecimentos que variam de 11 a 499 funcionários. Fará a capacitação profissional, promovendo o aprendizado coletivo em grupos de seis a oito empresas, e conduzirá consultorias especializadas em práticas e tecnologias que potencializem os resultados da produção, com base nas metodologias de manufatura enxuta. Serão 1,3 mil consultores atuando em todo território nacional, além de professores e tutores dos cursos de capacitação, online e presenciais, e equipes de suporte.

O Sebrae atenderá micro e pequenas empresas, prioritariamente, de comércio e serviços. O órgão vai oferecer orientação técnica e consultorias individuais, para que os clientes aperfeiçoem habilidades e práticas gerenciais. Após um diagnóstico aprofundado da gestão da firma, será desenhado um plano de ação customizado contemplando um pacote de consultorias especializadas em gestão e inovação para cada empresa assistida pelo Brasil Mais. O parceiro disponibilizará 1,1 mil Agentes Locais de Inovação (ALI) em parceria com o CNPq, que terão a função de acompanhar as empresas de forma individualizada, além de centenas de consultores que realizarão atendimentos especializados. As micro e pequenas empresas que optarem por esse eixo deverão possuir receita bruta de até R$ 4,8 milhões.

ETAPAS – A primeira etapa dessa jornada do programa Brasil Mais é a otimização. O objetivo é que as empresas atendidas consigam reduzir desperdícios, aumentar a produtividade e melhorar processos e custos. A partir da intervenção, espera-se que as empresas adotem uma gestão baseada em indicadores e, assim, melhorem seu posicionamento no mercado e aumentem suas vendas. Para isso, a iniciativa capacitará os clientes e fornecerá agentes locais de inovação que farão acompanhamento técnico e ajudarão os empreendedores na escolha de melhores práticas produtivas e gerenciais.

Batizada de transformação digital, a segunda etapa tem como objetivo o suporte às empresas, para aperfeiçoar processos produtivos e gerenciais a partir da adoção de tecnologias digitais adequadas à realidade dos empreendimentos. Por fim, para as empresas que tiverem maturidade avançada, o programa prevê uma terceira fase dedicada a acelerar a adoção de tecnologias de Indústria 4.0. Para essa última fase, em 2020, serão realizados projetos pilotos com o objetivo de testar a metodologia proposta. Após a validação desse processo, o método será aplicado em um número maior de empresas.

A iniciativa vai oferecer, além dos atendimentos e orientações, conteúdo digital composto por Manuais de Melhores Práticas Produtivas e Gerenciais, podcasts, e-books, acesso a links de cursos de capacitação e até ferramentas de autodiagnóstico, que auxiliam gestores a compreenderem a maturidade das empresas segundo um modo de produção, gerência e adoção de ferramentas digitais.

ATENDIMENTOS – O Brasil Mais vai atender indústria, comércio e serviços. A parte dos atendimentos assistidos das empresas deve durar de três a seis meses. Os parceiros estratégicos custearão o programa junto com as empresas. Na fase 1 do eixo de Melhores Práticas Produtivas, as empresas pagarão uma taxa de R$ 2,4 mil, que é o custo de 16 horas de consultoria individual. Na fase da digitalização, a contrapartida das empresas será de R$ 6 mil, correspondentes a 40 horas de consultorias oferecidas pelo SENAI, acrescidos dos custos dos sensores e do sistema de monitoramento on-line, a ser definido.

No eixo de Melhores Práticas Gerenciais, o atendimento, prestado pelo Sebrae, terá como contrapartida das empresas cerca de R$ 1.200, podendo variar de acordo com o tipo de consultoria necessário para cada empresa.

O objetivo é que, com a melhoria dos processos de gerenciamento e produção, as empresas atendidas recuperem o valor investido em poucos meses.

O programa Brasil Mais será executado até dezembro de 2022. Os resultados do projeto e suas vantagens continuarão a produzir benefícios às empresas atendidas. Como legado do programa, espera-se que os empresários aprimorem sua visão sobre a liderança, a gestão e os processos produtivos de sua empresa, além de melhorar a capacidade de planejar nos curto e longo prazos, identificar oportunidades de investimentos e adotar uma cultura de melhoria contínua. (Com informações da Agência CNI de Notícias)

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