25 Nov. 2021, 20h58

Para internacionalizar, preparar é decisivo

Fieg, Prefeitura de Aparecida de Goiânia e Sebrae realizam oitava edição do Encontro Internacional de Comércio Exterior (EICE), com participação recorde de público

Quais são os desafios e oportunidades no novo mundo conectado? Com a missão de desmistificar a internacionalização e responder ao questionamento, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), a Prefeitura de Aparecida de Goiânia e o Sebrae promoveram quinta-feira (25/11) a 8ª edição do Encontro Internacional de Comércio Exterior (EICE). Realizado pela primeira vez fora de Goiânia e em formato híbrido, o evento contou com palestras presenciais no Anfiteatro Municipal Luiz José Costa, com transmissão ao vivo pela internet, e realização de encontro de negócios e seminário de atração de investimentos em ambiente on-line. No total, quase 500 participantes, entre empresários, profissionais de comércio exterior, estudantes, adidos comerciais e representantes de embaixadas, do governo estadual e de prefeituras prestigiaram o evento, que teve ampla programação durante todo o dia.

"O potencial das indústrias e empresas goianas é riquíssimo e o mundo está aberto para aqueles que estiverem preparados, aqueles que souberem enxergar as oportunidades", afirmou o presidente da Fieg, Sandro Mabel, ao dar boas-vindas virtualmente aos participantes, já antecipando a mensagem que iria permear todas as palestras e discussões do evento.

Liderando a organização da oitava edição do EICE, o vice-presidente da Fieg e presidente do Conselho Temático de Comércio Exterior (CTComex), Emílio Bittar, destacou a importância de fomentar a exportação de produtos industrializados made in Goiás e o paradoxo da pandemia, que isolou fisicamente países, mas aproximou comercialmente o setor produtivo de todo o mundo. "Mais que ser um exportador de commodities, queremos levar para outros países os produtos que industrializamos aqui. Com o momento que estamos vivendo, percebemos que não existe mais distância e nem barreiras entre países que desejam comercializar seus produtos".

Anfitrião do evento, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, abriu o EICE, ressaltando a vocação empreendedora da cidade e o trabalho promovido pela gestão municipal para semear a cultura exportadora entre empresários do município. "É um trabalho ao qual temos nos dedicado desde a gestão do Maguito (ex-prefeito Maguito Vilela), que demanda planejamento de longo prazo", disse, ao anunciar parceria confirmada com Israel após cinco anos de tratativas. "A nossa agenda de atração de investimentos é permanente e é essa atuação que proporcionou 127% de crescimento do PIB municipal nos últimos anos".

Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Aparecida de Goiânia (Aciag), Leopoldo Moreira Neto, a expertise e o apoio da Fieg na internacionalização das empresas goianas vêm somar à promoção da cultura exportadora do município. "A realização do EICE em Aparecida busca justamente despertar a atenção das indústrias aqui instaladas para as oportunidades que a internacionalização proporciona. Hoje, nosso município é o quinto maior em importação de mercadorias no Estado, mas não estamos nem entre os 15 primeiros em exportação. Queremos mitigar essa lacuna e isso só é possível acelerando a cultura exportadora no nosso setor produtivo".

INTERNACIONALIZAÇÃO: PREPARAÇÃO É FUNDAMENTAL
A oitava edição do EICE contou com palestra magna de Arthur Igreja, especialista de renome internacional, autor do livro sobre inovação Conveniência é o Nome do Negócio e cofundador da plataforma AAA com Ricardo Amorim, do Manhattan Connection. O evento promoveu ainda painéis temáticos sobre competitividade na exportação, oportunidades e desafios para as micro e pequenas empresas e logística e infraestrutura. E uma máxima permeou todos os debates: é fundamental planejar e preparar a empresa para a internacionalização.

"O principal desafio, principalmente para os pequenos negócios, é estabelecer a internacionalização como uma estratégia corporativa, e não somente como uma saída em momentos de crise", alertou Arthur Igreja. Para ele, o empreendedor brasileiro vive em uma armadilha territorial, devido ao tamanho continental do País e o expressivo mercado consumidor interno.

O especialista destacou ainda a quantidade de ferramentas que o empresário possui para se preparar para a exportação; disse que é preciso entender as recentes mudanças dos consumidores – cada vez mais focados na experiência –; que a inovação hoje é para todos, e não só para os jovens; e compreender a importância de reter talentos nas empresas, considerando que o recurso humano será o grande desafio da próxima década.

"A pandemia foi disruptiva em vários aspectos. Na produtividade, mostrou que não é necessário o trabalho presencial para gerar resultados efetivos. Isso intensificou o fenômeno de 'importação' e 'exportação' de talentos. Reter os talentos nas empresas é fundamental para competitividade e inovação".

O palestrante Nicola Minervini, especialista em internacionalização e autor de vários livros na área de Comércio Exterior, destacou o efeito do custo Brasil na competitividade dos produtos brasileiros e advertiu os empresários sobre a importância de reduzir ao máximo o custo empresa como forma de minimizar esse impacto. "A exportação é uma estratégia para as empresas que querem crescer, e não um antídoto para a crise. Para entrar no mercado internacional, é preciso disciplina, método, sem improvisações. Garantir a competitividade do produto é o primeiro passo", afirmou.

Nesse sentido, o analista de Competitividade do Sebrae Nacional, Gustavo Reis Melo, listou os principais desafios e oportunidades para micro e pequenas empresas se lançarem no comércio exterior. De acordo com estudos, cerca de 40% das MPEs não exportam regularmente e os principais entraves são os custos tarifários, os custos com transportes, a dificuldade em oferecer preço competitivo, a burocracia, a complexidade da legislação e a dificuldade em definir o mercado alvo para a inserção internacional.

"Antes de se lançar no mercado internacional, é preciso se capacitar, estudar o mercado consumidor e desenvolver a capacidade exportadora do negócio", avaliou o especialista, que citou ainda a multiplicidade de feiras e rodadas de negócios digitais que surgiram com a pandemia, reduzindo custos para os empresários que querem iniciar essa jornada, e o programa Indústria Global – parceria entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Sebrae que promove uma série de atividades para fomento da cultura exportadora.

O EICE contou ainda com a participação de Paulo de Castro Reis, diretor de Relações Institucionais e de Negócios da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, e de Richard Sanchez, especialista em marketing e em vendas para o atacado, que falaram sobre as oportunidades de negócios e parcerias com o Canadá e como preparar, formatar e posicionar o produto brasileiro para o mercado norte-americano, respectivamente.

ATRAÇÃO DE INVESTIMENTOS
No 8º Encontro Internacional de Comércio Exterior (EICE), houve também o seminário virtual Atração de Investimentos: Investindo e Fazendo Negócios com a Cidade de Aparecida de Goiânia e o Estado de Goiás. O webinar contou com a participação de representantes diplomáticos de 24 países de todos os continentes, que puderam conferir as potencialidades de Aparecida de Goiânia e de Goiás para atração de investimentos em áreas estratégicas, como infraestrutura, serviços básicos e mineração.

O objetivo foi despertar o interesse das embaixadas às oportunidades de negócios em solo goiano, visando à multiplicação dessa informação junto a empresários e adidos comerciais. O seminário foi prestigiado por Alemanha, Austrália, Bélgica, Colômbia, Chile, Egito, Equador, Espanha, Estados Unidos, França, Hungria, Índia, Indonésia, Itália, Marrocos, México, Palestina, Paraguai, Peru, Portugal, Rússia, Singapura, Suíça e Turquia.

O EICE contou com a presença da gerente comercial do Grupo Porto Seco Centro-Oeste – empresa patrocinadora do evento, Ana Cláudia Ganzarolli; do superintendente estadual dos Correios – empresa apoiadora da edição, Eugenio Montenegro; dos presidentes de sindicatos das indústrias Cezar Mortari (Sinduscon-GO), José Divino Arruda (Sinvest) e Jaques Silvério (Sincafé); dos presidentes de conselhos temáticos Jaime Canedo (Compem), Eduardo Zuppani (Conat) e Carlos Roberto Viana (Casa); do secretário de Desenvolvimento Econômico de Aparecida de Goiânia, Marlúcio Pereira; do presidente da Câmara Municipal, André Fortaleza; e autoridades e lideranças municipais e estaduais.

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