24 Jun. 2020, 20h14

Ou inova ou desaparece: os caminhos para a indústria impostos pela pandemia

Iniciativa do CDTI/Fieg reúne diretora de Inovação da CNI, Gianna Sagazio, e representantes de instituições de P&D de Goiás para discutir impactos e perspectivas para o setor empresarial

Disseminar a cultura da inovação. Esse foi o mantra que permeou a palestra da diretora de Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Gianna Sagazio, a empresários e representantes de instituições que trabalham pesquisa e desenvolvimento em Goiás. A apresentação foi promovida quarta-feira (24/06) pelo Conselho Temático de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico (CDTI) da Fieg, dentro da programação da reunião do colegiado, com participação de 31 instituições.

Durante uma hora, Gianna elencou as diversas ações desenvolvidas no âmbito da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) com foco em tornar a indústria brasileira mais inovadora e competitiva. A atuação envolve a proposição de políticas públicas e instrumentos de apoio à inovação; a articulação para o fortalecimento da inovação empresarial e melhoria do ambiente de negócios; e a produção e difusão de conhecimento sobre ciência, tecnologia e inovação.

De acordo com a diretora da CNI, o atual contexto de pandemia deixou ainda mais clara a necessidade de as empresas investirem em tecnologias inovadoras e, principalmente, em aperfeiçoarem metodologias de gestão. "É extremamente importante ajudarmos as empresas a se inserir nessa revolução industrial, sobretudo as de pequeno porte. É um caminho sem volta. Quem não se inserir, corre o risco de desaparecer em um futuro próximo", avaliou.

Segundo Gianna, os empresários, sobretudo os pequenos, têm a percepção de que é preciso grandes investimentos para se inserir no contexto da Indústria 4.0. Entretanto, a especialista alerta que o importante é dar passos nesse sentido e, para isso, as empresas contam com diversas ações articuladas pela MEI, inclusive em parceria com as federações estaduais da indústria e sindicatos patronais, para ajudá-las nessa jornada pela inovação.

Para tanto, são disponibilizadas diversas publicações gratuitas com orientações, além do MEI Tools, um compilado com o detalhamento de 113 instrumentos vigentes de apoio à inovação e indicação de mais de 50 instituições parceiras em todo o Brasil que podem auxiliar as empresas a implantarem processos inovadores. "Nesse momento de pandemia, temos boletins semanais do MEI Tools. A publicação ajuda as empresas a entender em que momento podem usar esses instrumentos e programas e o que pode ser financiado", explicou Gianna.

Paralelamente, a MEI também busca conectar a indústria brasileira aos mais importantes centros de inovação do mundo. Por meio de programa de imersões em ecossistemas de inovação, quase 250 empresas e instituições de ensino já realizaram intercâmbio com organizações no exterior.

"Muitos países não conhecem o ambiente de inovação que temos no Brasil. A iniciativa busca expor e permitir que as empresas e instituições de ensino no Brasil possam acompanhar as políticas públicas para inovação implantadas em outros países", afirmou a diretora da CNI. Segundo ela, o benchmarking abre os olhos do empresário para as vantagens de se investir em inovação.

INVESTIMENTOS EM INOVAÇÃO
"Apesar de sermos a 9ª economia do mundo, estamos na 66ª posição no ranking global de inovação, que avalia 129 países", disse Gianna Sagazio, externando sua preocupação com as sistemáticas quedas nos investimentos em P&D no Brasil. Em nove anos, o Brasil caiu 19 posições no Índice Global de Inovação (IGI).

"O cenário é de retração nos investimentos em inovação, pesquisa e desenvolvimento e diminuição do apoio público", acrescentou. Segundo a especialista, enquanto os EUA e a China investem, respectivamente, US$ 590 bi e US$ 520 bi, o Brasil destina somente US$ 40 bi para inovação.

De acordo com a diretora da CNI, o Brasil precisa de uma política robusta para toda área de ciência e inovação, com uma visão macro, que demanda também investimentos em educação básica e superior de forma sistêmica, visando, lá na frente, à qualidade de vida das pessoas.

“A pandemia causada pelo novo coronavírus revela a importância da P&D e da inovação para a retomada do crescimento. É preciso ter uma visão do que o Brasil quer se tornar. O futuro depende de inovação", afirmou.

Para Gianna, a pandemia mostra a importância de tais investimentos, fundamentais para enfrentar desafios contemporâneos, como doenças, questões climáticas e crises econômicas. "Se trata de uma questão de soberania nacional", observou.

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