26 May. 2022, 10h22

Menos impactada pela pandemia, indústria goiana vive risco de desaceleração

Composição sustentada nos pilares da construção civil, indústria alimentícia e serviços industriais de utilidade pública, que somam 65% da produção do segmento no Estado, serviu de "escudo" para a economia local

Com cerca de 17,1 mil empresas industriais, o que representa 3,7% do total do segmento no Brasil, Goiás é o 7º Estado em termos de estabelecimentos industriais, atrás apenas de São Paulo (1º), Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro, segundo dados de 2020. Dinâmica, diversificada e competitiva, a indústria goiana representa a 9ª maior força no País, ocupa fatia de 2,8% de participação do PIB industrial nacional e possui aproximadamente R$ 185,2 bilhões em valor adicionado bruto na produção nacional, de acordo com números de 2019 da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Na semana em que se comemora o Dia da Indústria (25 de maio), a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) avalia com cautela o momento da economia na retomada das atividades pós-pandemia da Covid-19, em que o comportamento desse segmento do setor produtivo goiano foi substancialmente divergente do restante do setor no Brasil, como mostram números divulgados pela entidade, em parceria com o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Análise Econômica, consultoria especializada de São Paulo. (Acesse aqui íntegra do estudo).

Enquanto a indústria nacional amargou importante queda com a crise sanitária e as medidas de distanciamento social, a indústria estadual mostrou-se relativamente imune aos efeitos vistos no restante do País. Segundo o estudo, esse comportamento é explicado em parte pela composição do setor no Estado, que tem como pilares mais fortes a construção civil (25% de toda a produção), a indústria de alimentos (22,9%) e serviços industriais de utilidade pública (17,1%), totalizando 65% da produção. Esse perfil, de acordo com o trabalho, serviu como um “escudo” para a economia local contra os movimentos de recessão registrados desde o primeiro trimestre de 2020.

Paradoxalmente, como a indústria goiana depende significativamente dos setores de construção civil, alimentos e bebidas, é muito provável que os indicadores agregados da atividade registrem desaceleração, dentro de um contexto em que o País registra a inflação mais elevada nos últimos 19 anos, o que obrigou o Banco Central do Brasil a empreender uma política monetária mais restritiva, que já representa o maior ciclo de alta de juros da nossa história, avalia a Fieg. A expectativa é de que elevação da Selic deve impactar a inflação e a economia de forma defasada, ou seja, espera-se que a alta dos juros produza, sobretudo a partir do segundo trimestre, uma perda de dinamismo da economia.

No caso específico da construção civil, o desempenho também está conectado ao custo de crédito no País, portanto, pode sentir maior impacto da política monetária.

Protagonista do processo de industrialização, a Fieg busca mobilizar ações de suporte à retomada das atividades econômicas pós-pandemia da Covid-19, em meio ainda às comemorações dos 70 anos da fundação da entidade e, igualmente, da trajetória de sete décadas do Senai em Goiás. Uma série de ações destinadas a incrementar o crescimento do setor foi lançada na Semana da Indústria, sobretudo para enfrentar a forte demanda por mão de obra, a exemplo do programa Indústria + Forte, ‘guarda-chuva’ do Capacita +, Emprega + e Indústria +Conectada. (Leia mais aqui).

Com cerca de 22% dos empregos formais de Goiás, ou 327,2 mil postos de trabalho, ligados ao setor industrial, o que coloca o Estado como o 5º no qual a indústria mais emprega no País, segundo o estudo da Fieg/Análise Econômica, as iniciativas da Federação vêm ao encontro a um desafio que se mostra gigantesco, levando o Senai, braço do Sistema responsável pela formação de mão de obra, a correr contra o relógio: Goiás precisa qualificar mais de 309 mil trabalhadores em ocupações industriais até 2025, apontam dados e avaliação do Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025, levantamento realizado pelo Observatório Nacional da Indústria para identificar demandas futuras por mão de obra e orientar a formação profissional de base industrial no País.

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