05 Jun. 2021, 09h00

Indústria aliada do meio ambiente

Confira artigo do presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente da Fieg, Flávio Rassi, publicado no jornal O Popular.

Estamos na 4ª Revolução Industrial, em que inovação e tecnologia são palavras de ordem e essa inovação tecnológica deve estar aliada a busca de processos produtivos cada vez mais sustentáveis, que respeitam o meio ambiente e a sociedade que consome produtos e serviços dos mais variados segmentos industriais.

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), com seu Conselho Temático de Meio Ambiente, por meio dos Sindicatos Industriais, incentiva, nas organizações, a produção sustentável, tanto em respeito ao consumidor e preservação das matérias-primas quanto por uma questão de sobrevivência dos negócios. É um círculo virtuoso de desenvolvimento e preservação da vida, ou seja, quanto mais sustentável, quanto maior a mitigação dos impactos ambientais, mais valor iremos gerar para os empreendimentos e sociedade.

Agora mesmo, estamos às voltas com uma má notícia, que merece atenção especial de toda a sociedade, que é a baixa vazão do Rio Meia Ponte, a pior em três anos. Além da situação do Meia Ponte a situação de alerta de emergência hídrica para o período de junho a setembro em cinco Estados: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná. É o primeiro alerta dessa natureza em 111 anos. Longe ainda do início do período chuvoso, acende luz amarela para toda a sociedade e, também, na indústria, que utiliza recursos hídricos em várias atividades. As indústrias que ainda não o fizeram, precisam adequar suas estratégias de reuso da água, coleta da água da chuva e de contenção do desperdício de energia com a otimização dos processos produtivos não somente visando produtividade e lucro direto, mas também em relação à sustentabilidade empresarial nos pilares ambiental, econômico e social. 

Goiás tem muitas indústrias sustentáveis, cujos produtos conquistam o mercado doméstico e o mundo exatamente por essa característica, por agregar esse valor. 

Tomemos o exemplo da Jalles Machado, em Goianésia, no Centro Goiano. Relatório Anual de Sustentabilidade safra 2019-2020 destaca que a companhia certificou as duas unidades industriais – Jalles Machado e Otávio Lage – no Renovabio, nova Política Nacional de Biocombustíveis, cujo objetivo é expandir a produção no País e contribuir para a redução das emissões de gases do efeito estufa. Na safra, manteve compromisso com gestão de emissões, realizando pelo terceiro ano inventários de gases de efeito estufa, essenciais para as estratégias em mudanças climáticas. Além disso, plantou 21 mil mudas nativas e reduziu o consumo de água em montante equivalente para 3,4 cidades do tamanho de Goianésia (de 71 mil habitantes, segundo estimativa de 2020) durante um ano. 

Até mesmo segmentos industriais antes estigmatizados, como a mineração, hoje são vanguardistas na prática da sustentabilidade. Afinal, trata-se de empreendimentos de grande porte e com impacto em todo seu entorno. Em Goiás, terceiro polo mineral do País, atrás apenas do Pará e de Minas Gerais, toda a cadeia gera em torno de 175 mil empregos (diretos e indiretos), bem mais da metade dos 307 mil postos de trabalho criados pela indústria no Estado. No comércio exterior, cerca de 20% da balança comercial de Goiás vem da exportação de minérios e derivados. Em Minaçu, no Norte Goiano, onde opera o projeto de terras raras caminha para tornar-se o primeiro empreendimento de classe mundial para a produção desses minerais no Hemisfério Ocidental, a Mineração Serra Verde adota método de beneficiamento para proporcionar ainda mais segurança, economia e proteção ao meio ambiente, representando um salto tecnológico na produção desse tipo de minério, além de reduzir cerca de 80% a pegada ambiental.

A economia circular, em harmonia com o aumento da consciência ambiental dos consumidores e da busca por uma operação mais sustentável e responsável dentro das empresas, é o grande tema na agenda da indústria. O entendimento aqui parte da premissa de que a responsabilidade pelo ciclo de vida de um produto deve ser compartilhada entre fabricante, comerciante, consumidor e governo. Envolvendo toda a sociedade, conseguiremos gerar valor para todos e criar um significativo impacto positivo socioambiental.

Quanto mais a indústria investe no trabalhador, quanto mais ela investe em iniciativas sustentáveis, mais ela ganha; ganha toda a sociedade, que hoje não aceita mais ganho individual. O ganho precisa ser coletivo. Temos que gerar valor para todos!

Flávio Rassi
Vice-presidente da Fieg e presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente (CTMA)

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