24 Jun. 2022, 14h59

Índia, país de 1 bilhão de pessoas e oportunidades

CTComex reúne empresários e profissionais de comércio exterior para apresentar oportunidades da economia indiana. Terceiro maior PIB mundial, estima-se que classe média supere EUA, Europa e China até 2027

Terceiro maior PIB mundial, nação com mais jovens no mundo, quase 1 bilhão de pessoas conectadas à internet até 2025, com economia digital estimada em US$ 1 trilhão, e investimentos de US$ 1,5 trilhão em infraestrutura. Esses são alguns dos indicadores que despertam o entusiasmo do exterior pela nova Índia e que têm atraído empresários brasileiros a estreitar negócios com o país asiático, principalmente atentos ao crescimento exponencial da classe média, hoje um mercado consumidor de 400 milhões de pessoas com real poder de compra.

De olho nesse leque de oportunidades de negócios, sobretudo considerando a vocação da economia goiana na agroindústria e nos setores de mineração, fármaco-químico e de moda, o Conselho Temático de Comércio Exterior (CTComex) da Fieg, liderado pelo empresário William O'Dwyer, promoveu sexta-feira (24/06) o Seminário de Oportunidades Índia-Goiás. O evento, realizado presencialmente na Casa da Indústria, contou com participação do embaixador da Índia no Brasil, Suresh Reddy; do presidente da Câmara de Comércio Brasil-Índia, Roberto Paranhos do Rio Branco; e do diretor da multinacional indiana Aurobindo, Calambur Balaji.

"Hoje a Índia é mais que uma terra de um bilhão de pessoas. É uma nação com um bilhão de oportunidades!", afirmou o presidente do CTComex, William O'Dwyer, na abertura do evento, destacando que a moderna Índia é uma próspera democracia, uma potência mundial, sendo parceira positiva no quadro político global e líder nas áreas de ciência e tecnologia.

Nesse sentido, o embaixador Suresh Reddy conduziu apresentação das potencialidades da economia indiana, ressaltando os expressivos investimentos em infraestrutura e em educação e inovação, que lançaram o país a uma nova realidade nos últimos dez anos. "O que não conseguimos em cem anos, estamos fazendo em uma década. Vivenciamos um desenvolvimento econômico e social acelerado nos últimos dez anos. Uma verdadeira transformação, principalmente alavancada por expressivos investimentos em infraestrutura e por um ambiente de negócios amigável a investimentos privados", afirmou o diplomata.

De 2011 para cá, a malha ferroviária indiana saltou de 71,7 mil quilômetros para 140,1 mil km, sendo atualmente o quarto maior sistema de trilhos do mundo, atrás apenas dos EUA, da Rússia e China. No âmbito aeroportuário, a quantidade de aeroportos mais que dobrou, de 62 para 130, em apenas cinco anos, principalmente pela parceria com a iniciativa privada. Igual atenção vem recebendo o modal rodoviário, hoje com cerca de 6,2 milhões de quilômetros e com estrutura bem desenvolvida para parcerias público-privadas (PPP).

"A velocidade de crescimento é enorme. Temos recorde de construção sendo batidos sistematicamente, com novas rodovias, aeroportos e ferrovias. São cerca de US$ 100 milhões de investimentos diários em infraestrutura. Quem é do setor percebe o potencial de investimento. Nossa malha rodoviária quase dobrou na última década", sustentou Reddy.

De acordo com o embaixador, a Índia destaca-se ainda em setores estratégicos, como na indústria de saúde e incubação de startups. Outro dado importante é o crescimento da classe média indiana. Estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que a Índia terá mais pessoas de classe média do que qualquer outro país no mundo, superando EUA, Europa e China. A partir de 2027, a população indiana será maior que a chinesa.

Na avaliação do presidente da Câmara de Comércio Brasil-Índia, Roberto Paranhos, o apetite de negócios indiano e o ambiente amigável para investimentos constituem oportunidades diferenciadas para investidores e empresários brasileiros. "Hoje a Índia já equivale a dois 'Brasis' e a velocidade com que as coisas acontecem lá é incrível. São 400 milhões de indianos com verdadeiro poder aquisitivo e inúmeras as oportunidades de negócios. No caso de Goiás, vale destacar áreas da agroindústria e saúde, como as indústrias de processamento de alimentos e farmacêutica", exemplificou.

Paranhos destacou ainda desafios que o Brasil possui na atração de investimentos indianos. "O Custo-Brasil é um desafio, mas Goiás tem um diferencial tributário nesse contexto que pode e deve ser melhor explorado", afirmou.

Calambur Balaji, que falou no seminário sobre sua experiência de negócios com o Brasil, especialmente com Goiás, reforçou a avaliação de Roberto Paranhos e alertou para o encarecimento aqui dos custos de logística nos últimos dois anos, um dos principais desdobramentos da pandemia. Para ele, é fundamental uma política de governo brasileiro que busque minimizar esse impacto, objetivando proporcionar competitividade às empresas que investem no País.

O Seminário de Oportunidades Índia-Goiás contou com participação de mais de 50 empresários e profissionais de comércio exterior. Também acompanharam o evento a embaixatriz da Índia no Brasil, Sneha Reddy; o gerente de Prospecção de Desenvolvimento e Investimentos da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços do Estado de Goiás (SIC), Willian Rabelo; o superintendente da SIC Plínio Viana; e a diretora da Câmara Brasil-Índia Isadora Coimbra.

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