13 Jan. 2021, 14h00

A última entrevista de Maguito Vilela à Goiás Industrial

Eleito prefeito de Goiânia, em novembro, com 52,6% dos votos válidos, Maguito Vilela falou à Goiás Industrial antes de sua longa internação em São Paulo, de quase três meses, onde morreu quarta-feira (13/01), por complicações da Covid-19. Em meio à campanha eleitoral, em ascensão nas pesquisas e durante o programa Fieg Sabatina, ele antecipou o que havia planejado em seu programa de governo: incrementar parcerias com o Sistema Fieg, acelerar os projetos de desburocratização da administração municipal, avançar no processo de digitalização da capital e concluir as obras em andamento na cidade. “A desburocratização iniciada recentemente pela Prefeitura de Goiânia, por meio do Licença Fácil, será ampliada”, afirmara. A meta, segundo ele, era tornar “Goiânia a capital mais atrativa e desburocratizada” do País.

Em sua avaliação, “o fator histórico que fez a opção de Goiânia por não ter indústrias perdeu sentido” e, por isso, sua ideia é atrair empresas do setor industrial com a implantação de polos de desenvolvimento econômico, priorizando empresas de base tecnológica e indústrias verdes, de baixo impacto ambiental. Os polos pretendidos deveriam estar em regiões de grande concentração populacional, “que carecem de emprego e de renda”, a exemplo dos bairros Jardins do Cerrado, Vera Cruz, na Região Oeste; Madre Germana, Residencial Buena Vista e Itaipu, na Região Sudoeste; Irisville e Recanto das Minas Gerais, na Região Leste.

Goiás Industrial – Quando e como o sr. começou na vida política e quais os pontos de destaque em sua trajetória desde então?

Maguito Vilela – Comecei atuar na vida pública muito novo, aos 26 anos de idade. Minha primeira eleição foi para vereador e presidente da Câmara de Jataí, depois para deputado estadual, deputado federal, vice-governador, governador, senador e eleito duas vezes prefeito de Aparecida de Goiânia. Na Assembleia e na Câmara dos Deputados, liderei movimento que acabou com a aposentadoria especial para parlamentares e governantes, a qual sempre recusei receber. Em 1991, tive a honra de ser vice-governador do maior líder e estadista da história de Goiás, Iris Rezende. Goiás renasceu nas suas mãos. Em dois governos, Iris construiu uma malha rodoviária de 9 mil quilômetros e a energia elétrica chegou em todos os cantos do Estado, que se transformou num imenso canteiro de obras. Passamos a ser vistos no Brasil como uma nova e importante fronteira de desenvolvimento. Coube a mim, eleito governador em 1994, dar continuidade às transformações de Iris Rezende. Éramos um Estado pronto para grandes saltos de desenvolvimento, mas o País foi atingido por uma grave crise econômica. Tivemos a coragem de implantar um programa de modernização administrativa do Estado. Sete grandes estatais foram extintas e 3 mil funcionários fantasmas foram identificados. Cortamos privilégios e o comprometimento da receita com a folha caiu de 83% para 62%. Renegociamos a dívida e o comprometimento mensal para pagamento caiu de 21% para 14%.

Essas medidas reduziram o peso da máquina administrativa e nos deram condições de partir para a solução de outros problemas e desafios. Avançamos no processo de industrialização de Goiás e, ao mesmo tempo, resgatamos a dignidade de milhares de famílias goianas que passavam dificuldades por causa da crise econômica: 220 mil famílias deixaram de pagar água e energia, 144 mil começaram a receber cesta básica, 90 mil crianças passaram a receber um litro de leite e pão. De imediato, o índice de aprovação escolar em Goiás ficou 20% acima da média nacional. Saímos da incômoda 21ª posição para a 5ª posição em qualidade de ensino, segundo o Ministério da Educação. No nosso governo, os professores da rede pública foram os primeiros do País a receber o piso salarial e concluímos ou implantamos 28 novas faculdades de nível superior no interior de Goiás. O processo de industrialização de Goiás deu um novo salto. Procuramos os investidores em todo o mundo. A Perdigão escolheu Rio Verde para investir US$ 500 milhões em um dos cinco maiores projetos industriais da época no Brasil. Garantimos investimentos da Parmalat, Caramuru, Nestlé, Agrifood, Malharia Manz, Vicunha, Hering, entre vários outros que são importantes até hoje para o Estado. Trouxemos a primeira montadora de automóveis, a Mitsubishi. Goiás ganhou força e cara nova. Deixamos o mandato de governador com mais de 70% de aprovação popular. Em 2008, fui eleito prefeito de Aparecida de Goiânia, com o objetivo de realizar uma gestão que transformasse o segundo maior município goiano. Criamos na época a maior frente municipal de obras de pavimentação em 115 bairros, em que mais de 120 mil famílias deixaram de morar em ruas de terra. Também investimos na construção dos eixos estruturantes em Aparecida, grandes avenidas de pista dupla com ciclovias, responsáveis por fazer as principais ligações da cidade e que permitiram melhorar significativamente o trânsito e a mobilidade do município. Na educação, outra grande demanda da população na época, quintuplicamos o número de crianças atendidas, reformamos e ampliamos todas as escolas da rede municipal, muitas delas com bibliotecas, salas de informática com internet, e construímos mais de 30 ginásios e quadras cobertas para a prática de esportes. Construímos também 36 novos Cmeis e conseguimos levar para a cidade o Instituto Federal de Goiás (IFG), com cursos profissionalizantes, e um câmpus da UFG.

Na área da saúde, além das novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), construímos e entregamos um novo, amplo e moderno hospital municipal, com 220 leitos, determinante neste ano para o prefeito Gustavo Mendanha realizar o excelente trabalho de atendimento aos pacientes com Covid-19. Na área da segurança pública, implantamos a Guarda Municipal e um moderno sistema de videomonitoramento, depois ampliado pelo prefeito Gustavo Mendanha, além de investimentos na modernização da iluminação pública e limpeza urbana. Outro importante e grande salto que realizamos foi no desenvolvimento econômico de Aparecida de Goiânia. Implantamos cinco polos industriais na cidade, que foram responsáveis por aumentar o número de empresas instaladas de 6 mil para mais de 30 mil e tornar o município como o maior gerador de novos empregos em Goiás. Com isso, Aparecida deixou de ser considerada cidade-dormitório para ser o maior polo econômico em desenvolvimento do Estado, gerando oportunidades e renda para mais de 150 mil famílias. São alguns resultados que marcaram a nossa gestão como governador de Goiás e como prefeito de Aparecida de Goiânia, que acredito que nos credenciam para as propostas que temos feito para a nossa capital. Assim como recebi o Estado das mãos de Iris Rezende, vamos receber Goiânia pronta para esse novo salto de modernidade e desenvolvimento econômico e social. A nossa capital já é considerada uma das melhores para se viver, trabalhar e empreender do Brasil. Vamos transformá-la na melhor do País e colocá-la posicionada entre as melhores do mundo.

Goiás Industrial – A formação de parcerias com os governos estadual e federal está em seus planos para a Prefeitura?

Vilela – O modelo de governança moderno prima pelo desenvolvimento compartilhado. Não tenho nenhuma dificuldade de dialogar e construir pontes para atender às demandas da população. Não há espaço para se fazer oposição ao governo estadual e, muito menos, ao presidente da República. As questões neste ano são municipais. Sempre costumo dizer que governo não faz oposição a governo. Vamos aprofundar as conversas para estreitar as relações e iniciar as parcerias com o governador Ronaldo Caiado e com o presidente Jair Bolsonaro, de forma republicana. Buscarei o apoio deles e de quaisquer outros líderes por meio do interesse comum: o bem social. A capital de Goiás será ainda mais proeminente no Centro-Oeste e isso é do interesse do governo estadual e também do federal.

Goiás Industrial – Olhando para um horizonte mais longo, pós-pandemia, quais são seus projetos, metas e prazos para aprimorar a mobilidade urbana? Quais os caminhos para estimular o uso do transporte coletivo e alternativas de menor impacto ambiental, a exemplo de bicicletas?

Vilela – A questão da mobilidade urbana será uma de nossas maiores prioridades na Prefeitura de Goiânia. Ressalto que o prefeito Iris Rezende tem realizado o maior volume de obras na história recente da capital que, quando concluídas todas, vão melhorar muito o trânsito e o transporte público da cidade. Vamos concluir todas as obras iniciadas e que, por diversos fatores, inclusive a pandemia, não forem concluídas até dezembro por Iris Rezende. Logo em seguida, daremos sequência às obras e ações complementares que vão melhorar a mobilidade de Goiânia. No caso do transporte público, é preciso deixar claro que a solução não é simples e fácil. Trata-se de um desafio em todas grandes cidades do Brasil e do mundo. Até mesmo Curitiba, que já foi referência na área, agora enfrenta sérios problemas. Não tenho nem vou prometer solução milagrosa, mas o objetivo será garantir que tenhamos ônibus nas linhas mais cheias e nos horários de pico, garantindo segurança e conforto aos passageiros e motoristas. Vamos avançar com a implantação dos corredores exclusivos e preferenciais, além de ampliar a ligação entre bairros. É também fundamental instituirmos o Plano de Mobilidade da capital, há mais de 20 anos desatualizado. Já o modelo de ciclovias existente deve ser redesenhado e ampliado em Goiânia, contribuindo para um deslocamento seguro e confortável, atraindo assim mais usuários e favorecendo na redução dos impactos ambientas locais com transporte convencional.

Goiás Industrial – Qual o cronograma para conclusão das obras da Avenida Leste-Oeste, ampliação da Marginal Botafogo e Cascavel e BRT?
  

Vilela – Como disse, o prefeito Iris Rezende realiza o maior volume de obras na história recente de Goiânia e a conclusão delas é fundamental para a cidade. Algumas sofreram atraso por fatores imprevisíveis, como a pandemia da Covid-19. Vamos finalizar a Avenida Leste-Oeste, interligando Trindade a Senador Canedo, prioridade ainda no primeiro ano de nosso mandato, bem como a conclusão alça Sul-Norte da Marginal Botafogo, uma vez que a alça inversa deve ser concluída ainda pela gestão de Iris. A implantação integral da Marginal Cascavel também será prioridade e a implantação e operação do Eixo BRT norte-sul é fundamental para ligação das regiões Norte e Nordeste ao Sul da capital, bem como parte de uma integração metropolitana entre as cidades vizinhas, principalmente Aparecida de Goiânia, Trindade e Goianira. Além da conclusão da obra do BRT, é fundamental priorizar a contratação dos sistemas operacionais, rede lógica e veículos dotados de tecnologia adequada para o bom funcionamento do sistema, que inclui não só um eixo viário, mas sim todo um sistema de transporte público coletivo dotado de tecnologia e inovação responsável por entregar à população um serviço de transporte com qualidade e conforto.

Goiás Industrial – Nos últimos anos, no período mais seco, a cidade tem se visto quase sempre na iminência de uma grave crise hídrica, com as conhecidas consequências sociais e econômicas que a falta de água causa. O que pretende fazer nessa área? Pretende estimular os produtores de água?

Vilela – A crise hídrica é recorrente das grandes cidades e Goiânia não é exceção nesse tema. Como concedente dos serviços de água e esgoto, cabe à Prefeitura exigir da concessionária local a implantação e os aportes de investimentos necessários para a garantia do serviço com qualidade ao usuário contribuinte. Responsável pela maior parte da arrecadação, exerceremos por meio da Agência Municipal de Regulação todo o papel fiscalizatório, garantindo não só o cumprimento do contrato, mas ampliando a parceria institucional entre a Prefeitura e a Saneago. Cabe também incentivar os produtores de água e garantir programas de incentivos e educação ambiental, que viabilizem a maior economia hídrica possível na capital.

Goiás Industrial – O sistema educacional passa por uma transformação. O Estado de Goiás mantém parceria com o Sesi e oferece educação de alto nível em escolas conveniadas reconhecidas internacionalmente pela qualidade de seus serviços. O seu plano de governo contempla parcerias como essa, ou com o Senai, no campo da educação profissional?

Vilela – As parcerias com o Sistema S são fundamentais para o bom desempenho da educação municipal. As experiências locais provam essa eficácia e esse método de parceria favorece a melhoria da rede municipal de educação como um todo. Fizemos importantes parcerias com o Sesi/Senai quando administramos a prefeitura de Aparecida de Goiânia. Vamos, eleito prefeito da capital, ampliar as parcerias já realizadas pela gestão de Iris Rezende com o Sistema S.  Garantir a melhoria da educação é prioridade de meu mandato, não apenas para zerar o déficit de vagas nos Cmeis, mas também para garantir a capacitação dos profissionais de educação. Com a criação dos polos industriais em Goiânia, em que a prioridade será atrair investimentos de empresas modernas e indústrias limpas, vamos precisar muito de capacitar nossos trabalhadores para as milhares vagas de emprego que serão criadas nos próximos anos. Para isso, as parcerias e convênios com o Sesi, Senai e outras instituições de ensino profissionalizantes serão prioridades em nossa gestão. Como também ampliar a rede municipal de educação, principalmente em bairros não atendidos, e a implantação de métodos de inovação e tecnologia, garantindo o acesso a equipamentos de ponta e internet de banda larga em toda a rede municipal.

Goiás Industrial – Quais os projetos para a área de tecnologia e inovação? Há estudos para criação de uma linha de fomento municipal para o setor? Goiânia poderia, em sua administração, implementar o conceito de “smart city” (cidade inteligente), que utiliza tecnologias de informação e comunicação para proporcionar mais segurança, estabilidade socioeconômica, sustentabilidade e redução do custo de vida?

Vilela – Não só inteligente, nosso objetivo é transformar Goiânia numa cidade 100% conectada, a iniciar pela administração municipal. O prefeito Iris Rezende já avançou nessa área com algumas ferramentas importantes. Vamos ampliar os serviços públicos que podem ser acessados pela palma da mão de qualquer cidadão. Não apenas acessados, mas que possam entregar solução de forma rápida e sem burocracia para todos que demandam serviço da Prefeitura. Não é necessário, para isso, criarmos ou ampliarmos estruturas físicas. Cidadão poderá resolver a maior parte de suas demandas através do celular ou computador, seja na educação, saúde, iluminação pública, etc. A criação da rede de informações e integração dos sistemas municipais será fundamental para elevarmos Goiânia ao patamar de cidade inteligente e isso deve estar presente e claro em todas as áreas, seja nos circuitos de videomonitoramento da cidade, com reconhecimento facial e cruzamento de dados, na rede de semáforos e dos estacionamentos rotativos, no sistema de drenagem e monitoramento de alagamento em regiões de risco ambiental, na redução do gasto energético dos prédios públicos com implantação de energia solar, sistema de irrigação das áreas verdes e praças que não gere desperdício, prontuário eletrônico na rede pública de saúde que garanta a prestação de um serviço de qualidade e uma maior prevenção à doença. Mas também vamos incentivar investimentos privados na área de tecnologia e inovação em Goiânia, com linhas de incentivo e isenção às empresas, agregando as instituições de ensino, com programas de incubadoras e de fomento às startups. O ponto focal para tornar Goiânia moderna e internacional que queremos está em utilizar da inovação e tecnologia como meio de alcançar o desenvolvimento multidisciplinar da cidade.

Goiás Industrial – A Fieg vem realizando campanha para valorização dos produtos fabricados em Goiás, pois eles geram empregos, tributos e maior competitividade para a indústria. No âmbito municipal, seu projeto de governo prevê alguma iniciativa semelhante?

Vilela – A valorização da produção local é fundamental e Goiânia é destaque nacional em várias áreas, na produção artística, cultural, moda, gastronomia, entre outros. Tem potencial de alcance internacional. A economia criativa dever ser ampliada através da implementação dos Arranjos Produtivos Locais, identificando e garantindo benefícios aos produtores locais, em regiões pré-determinadas e de vocações econômicas específicas bem definidas. O apoio do setor público à iniciativa privada é primordial ao bom desempenho, sendo possível por meio das políticas públicas e parceria com terceiro setor. Vamos mudar o perfil econômico de Goiânia, não apenas com a implantação de polos industriais, mas também atraindo investimentos em inovação e tecnologia. Para isso, será importante contarmos com um eficiente trabalho de divulgação de nossas potencialidades. 

Goiás Industrial – Qual seu projeto para atrair novas indústrias para Goiânia? A atração de indústrias da chamada “economia verde” está em seus planos? Poderia detalhar mais planos específicos para essa área da economia, num momento em que a União Europeia escolheu o setor como base para a retomada da economia no período pós-pandemia?

Vilela – Compreender o novo momento da indústria contemporânea contribui significativamente para assimilar que a Goiânia Inteligente passa pela produção e geração de emprego e renda, através da atração de indústrias limpas e conscientes. O fator histórico que Goiânia optou por não ter indústria perdeu sentido. Atraí-las a partir da implementação de Polos de Desenvolvimento Econômico é mais do que necessário, será prioridade em nossa gestão. Vamos transformar o perfil econômico da nossa capital, com a criação desses polos e a atração de empresas e indústrias verdes e tecnológicas. Vamos oferecer incentivos fiscais para isso, buscar recursos federais necessários para novos investimentos na infraestrutura e fazer parcerias para a capacitação profissional dos trabalhadores em Goiânia. Vamos criar ambiente necessário para a geração de emprego e renda, para o crescimento do PIB e para um novo salto de desenvolvimento de nossa capital. 

Goiás Industrial – A Fieg defende a criação de polos industriais nas áreas periféricas de Goiânia, especialmente para indústrias de pequeno e médio porte e com potencial de empregabilidade e/ou agregação de valor aos produtos acabados. Há algum estudo da futura administração sobre o tema?

Vilela – O planejamento urbano atual da capital já define direcionamentos para estes polos, mas as propostas devem sair do papel. Regiões de grande concentração de pessoas, que carecem de emprego e renda, como Jardins do Cerrado, Vera Cruz, na Região Oeste; Madre Germana, Residencial Buena Vista e Itaipu, na Região Sudoeste;  Irisville e Recanto das Minas Gerais na Região Leste, são prioridades nesse planejamento. Definir áreas específicas e priorizar a implantação dos polos de desenvolvimento, com incentivos e isenções, é fundamental para a atração de investimentos privados. 

Goiás Industrial – Quais parcerias os projetos para impulsionar o setor da moda em Goiânia?

Vilela – A cadeia de produção da moda em Goiânia se profissionalizou e demanda investimento e atenção em todas suas áreas. A requalificação da Região da 44 é fundamental e ponto de partida para destaque do polo de moda goianiense. Tornar a região atrativa e destaque nacional e internacional e garantir que gere um dos maiores índices do PIB da cidade é obrigação do Executivo. Isso é possível com parcerias entre iniciativa pública e privada, cooperação entre entidades, presença do poder público nas regiões vulneráveis e qualificação dos espaços. Vamos garantir a valorização do produtor local, fomentando as pequenas confecções, com linhas de microcréditos específicos para aquisição de maquinários. Parcerias com universidades e criação de cursos de design de moda serão importantes, estimulando jovens produtores e garantindo o fortalecimento da rede da moda na cidade, através do Fashion Bureau, da Câmara da Moda, e favorecendo a criação de outras redes de inovação e startups da moda goianiense.

Goiás Industrial – No auge da pandemia da Covid-19, a Federação das Indústrias fortaleceu as ações do programa Fieg + Solidária, que graças à ajuda de dezenas de empresários industriais já beneficiou milhares de famílias carentes com doações de alimentos, materiais de higiene, limpeza e proteção individual. Quais parcerias podem ser estabelecidas no sentido de potencializar essas ações?

Vilela – A pandemia trouxe muitas demandas para o poder público e para a iniciativa privada. Temos agora de estar preparados para o pós-pandemia, em que a integração do sistema público de assistência social com a rede privada será importante e prioridade em nossa gestão. Nossa responsabilidade será mitigar os impactos negativos garantindo qualidade de vida e proteção social à população. Garantir a qualidade alimentar, higiene e proteção social é essencial e precisa evoluir bastante. A iniciativa privada pode e quer contribuir, mas muitas vezes é impedida pela burocracia ou impedimentos legais. Vamos implantar e ampliar uma grande rede de cooperação entre a Prefeitura e o setor privado, se preciso oferecendo incentivos e benefícios em contrapartidas.

Goiás Industrial – A conquista do primeiro emprego é uma das questões que mais aflige os jovens. O IEL, com seu reconhecido programa de estágio, atua em diversos municípios desenvolvendo carreiras e proporcionando a jovens a chance do primeiro emprego. Em sua gestão, o município vai estabelecer parcerias que aproximem o jovem do mundo do trabalho?

Vilela – Estamos focados em garantir um programa eficiente de garantia do primeiro emprego, que de fato insira os jovens no mercado de trabalho de forma definitiva. As parcerias com IEL devem ser ampliadas, em órgãos públicos municipais, garantindo experiência e ampliando o número de vagas para estágios nesses locais. Garantir a interligação do estágio com o primeiro emprego deve ser um ponto chave na gestão, que favorece não só a experiência profissional, mas a qualificação e permanência desses jovens no mercado de trabalho.

Goiás Industrial – Em um estudo encomendado pela revista Exame, Goiânia aparece na 23ª colocação no ranking das melhores cidades para fazer negócios. Quais as propostas para tornar a cidade uma referência no País na criação de negócios e empregos?

Vilela – Na administração do prefeito Iris Rezende, a gestão de Goiânia destacou-se na desburocratização em várias áreas, como liberação de licenças e alvarás para investimentos da construção civil e abertura de novos negócios. Vamos ir além. Tornar Goiânia a capital mais atrativa e desburocratizada é nossa meta, aperfeiçoando os sistemas do Alvará Fácil, Licença Fácil, Remembra e Desmembra Fácil, Sine Fácil e Empresa Fácil, e ampliando para outras áreas como o Prontuário Fácil, na área da saúde, instituição dos processos eletrônicos, ampliação dos sistemas de atendimento via aplicativo Prefeitura 24 Horas. Esse será o principal canal de comunicação do cidadão com a Prefeitura, automatizando todos os serviços de licenciamento ambiental e vigilância sanitária, habite-se, uso do solo, cadastro escolar digital, na área da educação. Vamos ampliar a conectividade do cidadão com a Prefeitura de Goiânia, com investimentos em tecnologias, capacitação dos servidores municipais e na infraestrutura da capital, especialmente com a ampliação de nossa rede de fibra óptica e internet de banda larga acessível.

Goiás Industrial – A morosidade na análise das licenças ambientais tem atrasado o desenvolvimento econômico e sustentável do Estado e de alguns municípios. O que pretende fazer para continuar o processo de desburocratização de forma a agilizar a tramitação dos processos e zerar o passivo nessa área?

Vilela – O Brasil tem passado por um processo recente de desburocratização e simplificação dos licenciamentos ambientais e Goiânia não ficará de fora. A desburocratização iniciada recentemente pela Prefeitura de Goiânia, por meio do Licença Fácil, será ampliada, garantindo agilidade na prestação desses serviços. Integrar o sistema de licenciamento ambiental com os demais órgãos de licenciamentos é fundamental para melhoria da prestação do serviço e nós faremos.

Goiás Industrial – O Plano de Resíduos Sólidos de Goiânia já foi elaborado e aprovado. O Sr. pretende implementar o plano, visto ser condição necessária para que os municípios possam ter acesso a recursos da União destinados à limpeza urbana, ao manejo de resíduos sólidos, à logística reversa e coleta seletiva?

Vilela – A implantação do Plano Municipal de Resíduos não deve ser opção, será prioridade e é obrigação do poder público municipal. Elaborado com afinco e demandando atualizações pontuais para sua boa implantação, deve ser implantado na cidade com o objetivo de reduzir o impacto ambiental, garantir a estabilidade e a segurança do aterro municipal, além de garantir a melhoria dos serviços de limpeza urbana e ampliar a rede de coleta seletiva na capital. Isso também está atrelado à implantação de um amplo plano de comunicação para conscientizar a população.

 

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